Para transformar a USP e lutar por melhores condições de pesquisa

“Política contra a barbárie”. O nome da nossa chapa pode parecer, para alguns, muito forte. Mas partimos do diagnóstico de que a USP vive uma crise tão profunda, que só poderá ser enfrentada por um movimento, de fato, forte. Forte, porém não truculento. Forte, porque baseado na política. Política como espaço de invenção, de imaginação, de ruptura. Política como prática de construção, de reconhecimento de diferenças, de negociação. A USP precisa de mais política e não menos. Política é a nossa resposta à força bruta, aos acordos de poucos, às perseguições de ontem e de hoje, ao personalismo, ao despotismo, ao clientelismo e ao autoritarismo que constituem, hoje, a nossa barbárie – a barbárie uspiana. A barbárie que nos impossibilita de ser uma universidade muito melhor em todos os sentidos: na produção de conhecimento, na formação dos alunos, no diálogo com a sociedade.

Existe, hoje, um consenso estabelecido de que a USP precisa alterar radicalmente o seu funcionamento interno. O Conselho Universitário começará a discutir, a partir desta semana, a estrutura de poder da USP. A Congregação da FFLCH criou uma comissão para alterar o retrógrado regimento disciplinar de 1972. O Congresso dos Estudantes da USP terá como pauta principal a construção de uma Estatuinte para a universidade. O Fórum Aberto pela Democratização da USP se fortalece a cada dia reivindicando o direito à verdade e à memória e, ancorado nisso, mais democracia interna.

Nós acreditamos que toda a comunidade universitária precisa participar ativamente deste processo de reformas, construindo-o como parte da luta pela consolidação da democracia no país. A USP viverá, nos próximos meses, um período histórico de redefinição de rumos. Cada pequena mudança será decisiva. É nesse momento que precisamos de uma Associação de Pós-Graduandos (APG) ativa e democrática, bem como de representantes discentes participativos e comprometidos com os fóruns dos estudantes.

Mas para além dos rumos internos da USP, é preciso reconhecer que a Política Científica e Tecnológica do país passa, há algum tempo, por uma profunda redefinição. A
FAPESP vem alterando de modo significativo o seu funcionamento e os seus critérios. A CAPES e o CNPq criaram uma série de novas bolsas e regras. Acreditamos que os pós-
graduandos da USP precisam participar ativamente também desse processo, estabelecendo uma relação de colaboração e autonomia em relação à Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG). Vamos mapear quais são as principais dificuldades dos pós-graduandos da USP em relação às condições de pesquisa para podermos intervir em sua melhoria. Também lutaremos pela conquista de mais direitos e daquilo que nos é necessário tanto para estudar e pesquisar quanto para viver. Precisamos formular uma pauta dos pós-graduandos partindo da realidade de cada programa de pós-graduação da USP para, a partir daí, atuar ao lado do movimento nacional de pós-graduação com reivindicações consistentes e que ajudem realmente a solucionar nossos problemas.

E temos condições de fazer isto porque acreditamos na construção coletiva. Nossa chapa possui a mais ampla representatividade em termos de programas e unidades, de número de integrantes e de gênero! Junte-se a nós por uma universidade pública, gratuita
e de qualidade! Contra a barbárie e pela democratização da USP!

Leia nossa carta-programa! Lá, iniciamos o debate acerca das posições que defendemos.

1. Defesa da democratização da USP: pela construção de uma campanha em prol da estatuinte democrática e soberana; fortalecimento do Fórum Aberto pela democratização da USP; fortalecimento da campanha pela instalação da Comissão da Verdade da USP

2. Fim dos processos disciplinares contra professores, estudantes e funcionários

3. Fim do convênio com a PM: por uma política de segurança desmilitarizada

4. Organização de uma ampla campanha contra a aprovação do novo regimento de pós-graduação

5. Políticas de acesso e de permanência aos pós-graduandos

6. Fomentar na USP uma discussão sobre política científica e tecnológica

7. Discussão e crítica às políticas de ensino superior federal e estadual

8. Luta pelos direitos dos pós-graduandos e a melhoria das condições de pesquisa

9. Democratização da APG: ampliação dos espaços de participação e comunicação

Integrantes da chapa (APG e RDs)

Aline Viotto Gomes (Direito Econômico e Financeiro)
Ana Carolina Ramos e Silva (História Econômica)
Bruno Carvalho (Filosofia)
Camila Gui Rosatti (Sociologia)
Carolina Dalla Pacce (Direito do Estado)
Cristiana de Oliveira Gonzalez (Sociologia)
Dante Jose de Oliveira e Peixoto (Engenharia – São Carlos)
Diego Rorato Fogaça (Engenharia – São Carlos)
Douglas Rogerio Anfra (Filosofia)
Fabio Luis Ferreira Nobrega Franco (Filosofia)
Felipe de Araujo Contier (Arquitetura e Urbanismo – São Carlos)
Fernanda Ferreti de Oliveira (FFCL – Ribeirão Preto)
Fernando Luis de Almeida (Engenharia Elétrica)
Gustavo Takashi Moraes Assano (Filosofia)
Helder Rossi Santos Souza (Filologia e Língua Portuguesa)
Jonnas Esmeraldo Marques de Vasconcelos (Direitos Humanos)
Larissa Alves de Lira (Geografia Humana)
Luiz Gustavo da Cunha Soares (Estudos Judaicos e Árabes)
Maria Caramez Carlotto (Sociologia)
Maria Fernanda Silva Pinto (História Social)
Mariana de Mattos Rubiano (Filosofia)
Mariana Toledo Ferreira (Sociologia)
Nicolau Dela Bandera Arco Netto (Antropologia Social)
Pollyana Ferreira Rosa (Artes Visuais)
Rafael Ferreira de Souza Mendes Pereira (Educação)
Rafael Versolato Gilberto (Filosofia)
Regina Stela Correa Vieira (Direito do Trabalho e da Seguridade Social)
Renan Honorio Quinalha (Relações Internacionais)
Ruby Rudy Arellano (Energia)
Tatiana Pavão (Ciência Ambiental)

2 ideias sobre “Para transformar a USP e lutar por melhores condições de pesquisa

  1. Na minha humilde opinião, está na hora de sair da “torre de marfim” e buscar parcerias, para gerar conhecimento sim, mas aproximar o mesmo de quem precisa dele para ser aplicado no dia a dia: sociedade civil, empresas, etc.

    Isso significa mais empresas jr, espaços patrocinados por empresas, sim, mas com exigência de contrapartidas justas para a comunidade uspiana e externa.

    Trabalhos em caráter prático devem valer créditos também!! Pelo amor de deus, não dá pra continuar a viver encastelado sem diálogo nenhum com a sociedade 100% à mercê de deliberações de CNPq, FAPESP entre outras, que devem existir, mas não continuar a possuir o monopólio de impor diretrizes que gozam hoje.

    • oi Marcos,

      a chapa vê com bastante preocupação a questão das parcerias com empresas. Por vários motivos, mas o principal é que é preciso, antes, definir qual é o papel social das universidades… Será que as empresas brasileiras, que estão entre as que menos gastam com P&D do mundo, estão prontas para fazer parcerias de ponta com as universidades??? Ou será que elas apenas se beneficiariam de uma mão de obra mais barata “contratando” pesquisadores públicos e pós-graduandos?? São Perguntas… A nossa chapa quer promover um grupo de trabalho sobre política de ciência e tecnologia em que a sua preocupação poderá ser debatida! Vamos debater esses pontos!

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